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segunda-feira, 8 de novembro de 2010

MUROS



















MUROS

Sórdidos e pétreos muros

que nos cingem

fecham todos os passos

nos caminhos

estam por toda a parte

e nos perseguem

acossam e atormentam

mentres batemos neles

para deitar abaixo a opacidade

que impide abrir janelas, portas

ou qualquer resquício

e otear ao longe os horizontes

quando alvoreje.


Muros que fam muralhas

inexpugnáveis

ainda que consigades atravessar

a imensa distáncia

que vos afasta

do outro lado alguém vigia

para fazer-vós desistir

das ansias

de recuperardes a casa

e a terra na que moravades

agora roubada e ocupada

pelos criminais invasores

da vossa pátria.


Se entre nossas maos

construimos fortaleças

podemos derruir umha a umha

todas as pedras

que reduzem o espaço

dia após dia

querendo arruinar

os campos sementados

de esperança

para logo colheitar dignidade

nesta árida terra

manchada de sangue e luto

e corpos esgotados.


Doem também os muros invisíveis

do esquecemento

dos que miram de esguelha

e nom fam nada

e com seus comportamentos

decidem

que os bons som

os que do alheio se apoderam

sem pedir permisso

nem sentir vergonha

de causar tanta dor e miséria

a um povo que só deseja

viver livre na sua terra.


E tu, vota umha olhada

em redor teu também há muros

muros da ignorância

que corrompem a mente

a consciência e o pensamento

e tu ainda assim calas...?

também nao dis nada...?

e quando chegue o dia

em que te roubem a casa

as terras e matem a tua família

a quem hás pedir ajuda?

Já ninguem há vir no teu socorro

Nada era mentira.


Muros das lamentaçons

Muros da vergonha

Muros da hipocrisia

Muros da incomprensom

Muros das injustiças

Muros da opressom

Muros da vingança

Muros visíveis

Muros invisíveis

Muros da violência

Muros das diferenças

Muros da indignidade

Muros da ignorância

Muros da barbárie

Muros da miséria

Muros da crueldade


MUROS.....QUE FAM MURALHAS E FORTALEÇAS, INEXPUGNÁVEIS...?

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

O jardim das palavras















O JARDIM DAS PALAVRAS


Observei-te desde a janela regando as plantas murchas do jardim

Amanhá há chover e as pingas ham ser vidros com afiado gume

esnaquiçando as pétalas secas e sem vida para serem inumadas

e tornadas de novo em semente fértil para procriarem beleça


Nom desejo flores frescas recem cortadas acima da minha cova

coma bodegons frios e lúgubres que emudecem os sentimentos

Acredito na emoçom das palavras agradecidas em versos e rimas

de louvança dumha sutil existência que ficou gravada em pedra


No jardim das palavras nascerám sílabas que acentuem o silêncio

omitindo as bágoas que já nom ham escorregar polo meu rosto

após serem ocultadas pola noite perpétua que abrangeu de súpeto

meu corpo doente para rematar grávido de devoradores vermes


Observarei-te desde o além regando os verdes gromos das flores

É bom que medrem enquanto a lua ainda permanece no crescente

No amencer as pétalas húmidas polo orbalho cintilam ao sol

intensificam-se as cores e arrecendem os perfumes com o seu frescor


Saberei da chegada da primavera ao florescer do virtuoso loureiro

ao pé da tumba sob a lousa onde jacem os ossos e restos putrefactos

Ajejarei entre as tebras polos resquícios do túmulo o lueiro da noite

E acordarei as manhans recitando os versos que me aprendera a poeta

domingo, 3 de outubro de 2010

FURACAN MARINHO















FURACAM MARINHO

Barca em que navego desorientada

Sinto mareios com o seu embalar agitado

nas augas bravas

encoleriçadas, de remuinhos

pretos e abissais.

Os remos nom me pertencem

nom os dou topado para vencer

o furacam de auga que já me afoga

Abraça a minha cara com força

incoerente e abatidora.

De súpeto lança-me

em todas direcçons

Surgem das profundidades

ondas gigantes coma tsunamis

A sua negrura abrumadora

produz-me terror mas também

ansias e raiva para poder

destruir sua enorme potência,

imensa e devoradora do meu ser

ferido, mas íntegro.

Aquí estou, só, e no isolamento

luito contra a besta cruel

que deseja possuir-me.

Contra este poder egoista

e aniquilador:

Nas noites de lua crescente

com envolvente circo. Parece que

muda o tempo e me disponho

Ou as de lua cheia onde crio

feitiços para acabar com

a maldade da natureza.

Na saudade dos dias a passar

lentos, espessos e opacos.

Nas primaveras que ainda

sinto longe.

Nos invernos perpétuos

que me acompanham

a cada momento.

Nas horas polas que o tempo

nom passa e som acedas

Na extensom do meu quarto

de salvaçom, onde fico isolada

desafogo e reuno forças.


Qual é a causa de quereres

submeter-me a inconsciência

fóbica dum furacám marinho?


Qual é o motivo desse ímpetu

desmesurado de apoderares-te

da minha vida?


Qué has fazer após me destruires pola

força dos teus desastres psico-naturais?


Achas que teu trunfo será exemplo

para manter em pé outros furacáns

assoladores e catastróficos?


E depois qué...O teu trunfo há de ser

a desgraça dumha parte importante

da Humanidade criadora, e tu, já

nom serás mais que o engendro

da morte.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

ALENTO















ALENTO

Mulher, que agochas no teu seio a semente

corrompida do dianho, dando alimento

o que nasce das entranhas, inconsciente,


dos teus peitos zugava com força o alento

de vida e dignidade com que o nutrias

devagar converteu-se no teu tormento


perante o que hás luitar todos os dias

mentres com dor e sofrimento trabalhas

e andas a escrever versos em elegias


Enquanto é favorável o vento espalhas

a esperança na liberdade que ansias,

da opressom e tirania dos canalhas

deitando fora, bem longe, as agonias.








quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Beijos e Palavras



















POEMA-CANTIGA

Fluem palavras estranhas dos teus beiços

já nom compreendo o sentido do teu querer

antonte falavas-me no ouvido com doçura

hoje tua lingua da nojo em todo o meu ser.


Nom quero pensar das trovas fermosas

que já nom escuito com grande emoçom

nom sei que me dim essas raras palavras

cantando cantigas dessoutra “nación”


Da mágoa os estragos que fai na memória

um virus maligno que impide expressar

a voz que transmite quem é nosso povo

qual nossso caminho, qual nosso cantar.


Eu quero possuir umha voz forte e ceive

que ninguém se oponha minha lingua falar

nem cantigas cantar berrando aturuxos

que nom me de nojo tua lingua ao beijar.